História de Amor

E num instante tudo mudou.
Olhares curiosos pela janela.
Um passo. Dois. E mais alguns, até transporem o vidro que nos separa. Ali, de pé, falam com o homem alto, todo vestido de preto. Depois escolhem um sofá verde junto às cortinas de uma cor que não sei definir. O meu olhar perde-se na rua, na gente que passa. Quando regresso cá dentro, a rapariga já está sozinha. Onde terá ido ele?
O meu ouvido esquerdo responde à minha pergunta. Olhando pelo canto do olho vejo-o, sentado no banco comprido, com os dedos finos sobre pedaços de giz e carvão melodiosos. As notas começam a soar. Primeiro baixinho. Cauteloso. Depois a música sobe, e com ela crescem as lágrimas, nos olhos dela, nos dele (algures), nos meus (?).
Os sentimentos (dela) à flor da pele. O sorriso (meu) rasgado para ninguém. O toque (dele) que transpira pureza, calma, magia.
Pergunto-lhe o nome com olhos de louca. E fico a falar com ela, que se chama Mariana, e digo muitas coisas, e faço muitas expressões diferentes, e calo-me, e ouço-a, e percebo ali coisas que nunca tinha percebido.
Agora, eu num lado do salão, ela noutro, e ele algures ali. Julgo que o chão estremece. A sala enche-se de cumplicidade, de jogos, do aqui e do ali, de olhares discretos. Piano majestoso.
Ela (apaixonada?) com os cotovelos sobre o mármore quadrado frio e com a cabeça entre as mãos de menina, olhando ternamente para ele. Depois alterna o coração acelerado com os dedos a enrolarem o cabelo que é já encaracolado. Apaixonam-se aí mais do que nunca, mais do que alguma vez serão capazes. Ela bebe-lhe as notas, roubando-lhe tímidos sorrisos, por entre aplausos silenciosos. Ele levanta-se, paga a conta, diz-lhe coisas que a esta distância não ouço. Voltam costas. Ela ainda me sorri uma última vez por entre lágrimas transparentes (minhas ou dela?). E eu fico ali, de novo, sozinha.
Olhares curiosos pela janela.
Um passo. Dois. E mais alguns, até transporem o vidro que nos separa. Ali, de pé, falam com o homem alto, todo vestido de preto. Depois escolhem um sofá verde junto às cortinas de uma cor que não sei definir. O meu olhar perde-se na rua, na gente que passa. Quando regresso cá dentro, a rapariga já está sozinha. Onde terá ido ele?
O meu ouvido esquerdo responde à minha pergunta. Olhando pelo canto do olho vejo-o, sentado no banco comprido, com os dedos finos sobre pedaços de giz e carvão melodiosos. As notas começam a soar. Primeiro baixinho. Cauteloso. Depois a música sobe, e com ela crescem as lágrimas, nos olhos dela, nos dele (algures), nos meus (?).
Os sentimentos (dela) à flor da pele. O sorriso (meu) rasgado para ninguém. O toque (dele) que transpira pureza, calma, magia.
Pergunto-lhe o nome com olhos de louca. E fico a falar com ela, que se chama Mariana, e digo muitas coisas, e faço muitas expressões diferentes, e calo-me, e ouço-a, e percebo ali coisas que nunca tinha percebido.
Agora, eu num lado do salão, ela noutro, e ele algures ali. Julgo que o chão estremece. A sala enche-se de cumplicidade, de jogos, do aqui e do ali, de olhares discretos. Piano majestoso.
Ela (apaixonada?) com os cotovelos sobre o mármore quadrado frio e com a cabeça entre as mãos de menina, olhando ternamente para ele. Depois alterna o coração acelerado com os dedos a enrolarem o cabelo que é já encaracolado. Apaixonam-se aí mais do que nunca, mais do que alguma vez serão capazes. Ela bebe-lhe as notas, roubando-lhe tímidos sorrisos, por entre aplausos silenciosos. Ele levanta-se, paga a conta, diz-lhe coisas que a esta distância não ouço. Voltam costas. Ela ainda me sorri uma última vez por entre lágrimas transparentes (minhas ou dela?). E eu fico ali, de novo, sozinha.


